FOTE: BRASIL DE FATO.COM.BR
Violência e ameaças no Espírito Santo
por Michelle Amaral da Silva última modificação 10/12/2008 15:09
A luta da mãe Maria das Graças Nascimento para fazer justiça
10/12/2008
Patrícia Benvenuti
da Redação
Leia mais:
Entidades responsabilizam Estado brasileiro por política de extermínio
"Graças a Deus que eu tenho voz, e não medo, mesmo marcada para morrer". Assim Maria das Graças Nascimento Nacort, resume sua luta diária e as ameaças que recebe desde que seu filho, Pedro Nacort, 26 anos, foi assassinado por policiais militares a 100 metros de sua casa no centro de Vitória (ES), há quase uma década.
Na noite de 20 de junho de 1999, Nacort avisou à mãe que daria uma saída rápida, apenas para comprar cigarros. De acordo com testemunhas, enquanto voltava, foi abordado por quatro PMs em uma viatura, que espancaram e executaram o jovem com 22 tiros.
Maria das Graças conta que, de sua janela do sexto andar, enquanto esperava o filho, percebeu quando o carro da polícia parou em frente ao prédio. Os tiros, no entanto, se misturaram aos fogos em virtude de um jogo entre Flamengo e Vasco da Gama. "Eu ouvindo aquele monte de tiros e achando que eram os fogos, em comemoração ao jogo. Nem sequer passava pela minha mente que era o meu filho que estava sendo executado", relata.
Quinze minutos depois do assassinato, um policial ordenou, pelo interfone, que Maria das Graças descesse. Quando chegou em frente ao prédio, o policial informou que seu filho havia tido um "probleminha" e que ela deveria liberar o corpo.
Os policiais admitiram que Nacort não portava armas nem drogas, mas jamais esclareceram que "probleminha" teria levado à sua morte. "Eles não falam porque mataram meu filho. Até hoje eu me pergunto porque eu não tenho essa resposta".
Nacort trabalhava como guardador de carros em frente ao prédio onde morava e não tinha antecedentes criminais. Ele foi executado com vários tiros na cabeça e nas costas, além de um tiro na mão, que induz a uma tentativa de defesa.
Alguns jovens que testemunharam o crime passaram a ser perseguidos pela polícia; dois deles teriam sido forçados, inclusive, a assumir a morte de Nacort. Por se recusarem, teriam sido detidos, torturados e assassinados dentro do próprio presídio. Uma das testemunhas, a única sobrevivente, foi retirada de Vitória com a ajuda da Associação de Mães e Familiares de Vítimas da Violência (Amafavv/ES), da qual Maria das Graças é presidente.
Um inquérito foi instaurado para apurar a morte de Nacort mas, até hoje, não foi concluído. O processo chegou a ser queimado no Fórum de Vitória, junto com documentos relativos a outros casos de violência policial. Maria das Graças conseguiu refazer o processo e, desde então, espera a punição dos policiais.
"Há nove anos e seis meses eu estou aguardando um júri popular, e os assassinos do meu filho foram promovidos em cima do sangue do meu filho, saíram de uma polícia comum e foram para uma polícia especial, a GAO [Grupo de Apoio Operacional], com salário bem maior. E isso está me deixando muito revoltada", lamenta.
Maria da Graça também revela que suas denúncias resultaram em uma série de ameaças por parte dos policiais. "Eles vinham por trás e diziam 'não olha para trás'. Eu sabia que era a polícia, porque eles colocavam o pé na frente e eu via que era a bota. E eles diziam 'você tem três opções, ou se cala, ou sai do Estado ou enchemos sua cara de tiros'. Mas eu não vou me calar".
A luta não apenas de Maria das Graças, mas das duas mil mulheres cadastradas na Associação de Mães e Familiares de Vítimas da Violência, é denunciar a situação de violência no Espírito Santo, especialmente contra pobres e negros, a maioria com idades entre 13 e 30 anos.
As mães também exigem o fim da impunidade contra crimes cometidos por agentes do Estado. "Nós não agüentamos mais, a pessoa mata, é condenada em um juri popular e sai daí de mãos abanando se é policial, para aguardar recurso. Quando essas pessoas vão ser punidas?"
A expectativa é de que, em março, seja definida a data do júri popular que julgará os quatro policiais militares acusados de matar Nacort.
Escritos indignados e propositivos de Fernando Claro. Contra direita golpista e contra as mídias que desinformam e mentem. Pela Soberania do Brasil. Pela Supremacia da Constituição Federal. Pela tolerância, compreensão e respeito para com as diversidades. Em defesa dos Direitos Humanos. A hora é essa! Vamos nessa?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Portal da SBO - Sociedade Brasileira de Oftalmologia Dia Nacional de Combate ao Glaucoma é 25 de maio | O CLARO: Vá periodicamente ao oftalmologista. O glaucoma pode levar à cegueira!
.: Portal da SBO - Sociedade Brasileira de Oftalmologia :. Façam um blogueiro feliz...rsrs Caso queiram DOAR qualquer VALOR para a MANUTE...
-
Vitória, Espírito Santo, 24 de fevereiro de 2025 Estamos de volta, após alguns anos em que me submeti a duas cirurgias de Glaucoma e duas...
-
Coletivos de professores realizam carreatas neste domingo contra aulas presenciais - Século Diário Considere colaborar para manutenção dest...
Nenhum comentário:
Postar um comentário